pAULO QUEIROZ
O pintor e desenhista Paulo Queiroz (1971–2013) é classificado predominantemente dentro da Arte Figurativa Contemporânea, com uma linguagem visual que flertava fortemente com o hiperrealismo e a estética cinematográfica urbana.
Movimento Espontâneo
Há uma precisão quase mística em conseguir fixar na tela a natureza efêmera do movimento. Para o saudoso artista plástico Paulo Queiroz (1971–2013), no entanto, capturar a impermanência era a própria razão de pintar. Cearense de nascimento e paulistano por escolha, Queiroz consolidou uma trajetória meteórica e respeitada no cenário contemporâneo, transformando o dinamismo dos corpos e a liquidez do mundo em pura poesia visual. Representado no acervo da EBART Gallery, ele permanece como um dos pintores mais vibrantes de sua geração.
Paulo Queiroz dominava com precisão a anatomia humana e a paisagem das metrópoles. Suas figuras eram totalmente reconhecíveis e nítidas.
A fascinação pelo reflexo da água: O pintor ficou amplamente reconhecido no circuito artístico pela sua habilidade técnica impecável em pintar a superfície da água, seus reflexos, transparências e a distorção da luz.
Desenhista talentoso desde a infância, foi aos 26 anos que Queiroz assumiu a pintura como seu verdadeiro ofício profissional. Sua estreia no circuito de elite aconteceu pelas mãos da vanguardista galeria de Thomas Cohn, e seu amadurecimento o levou a expor nas mostras mais concorridas do país. Dono de uma técnica vigorosa, o artista rejeitava a rigidez das formas estáticas e buscava na tela o frescor do instante.
A grande marca poética da produção de Paulo Queiroz reside na representação da fluidez. O artista era fascinado pelo elemento da água — que ele definia como um desafio divertido e estético — e pela figura humana em plena ação. Em suas célebres séries de dançarinos, performances e banhistas, os corpos parecem se fundir ao espaço através de pinceladas velozes, quase coreografadas.
Nas obras presentes na curadoria da EBART Gallery, o público encontra telas onde o expressionismo ganha uma leveza singular. Queiroz manipulava as texturas e as transparências com maestria, fazendo com que a luz parecesse refratar diretamente da superfície pictórica. Não há contornos rígidos: as figuras surgem do fundo em um jogo de aparição e mistério, convidando o espectador a sentir a velocidade, o ritmo e o fôlego do momento retratado.
Ao longo de sua intensa jornada criativa, Paulo Queiroz manteve uma postura de profunda reverência e generosidade com a tradição da pintura. Essa dedicação obstinada conferiu às suas obras uma qualidade atemporal, disputada por colecionadores atentos no mercado secundário.



