Tito Alencastro
O pintor, desenhista, gravador e mosaicista carioca José Tito Regis de Alencastro (1934–1999), conhecido no circuito das artes como Tito de Alencastro, edificou uma das trajetórias mais completas e eruditas do modernismo tardio brasileiro.
Arquitetura da Memória
O refinamento técnico de Alencastro reside no controle da luminosidade. Dono de um traço cirúrgico e de um senso de composição impecável, ele consagrou-se ao investigar as formas e os volumes sob uma ótica quase arquitetônica.
Lapidado na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) nos anos 1950, Tito estudou desenho com Zaluar e composição com os icônicos Quirino Campofiorito e Santa Rosa. Sua curiosidade o levou a dominar a técnica clássica do mosaico com José Miraes e a gravura em metal no MAM-RJ sob a tutela do mestre europeu Johnny Friedlaender. Essa fusão de conhecimentos transformou suas pinturas em espaços de refinada construção espacial.
A grande marca na produção de Tito de Alencastro é a geometrização sutil da realidade. Famoso por suas naturezas-mortas enigmáticas e suas composições abstratas de forte rigor modular, o artista fragmentava objetos cotidianos — como relógios, vasos e instrumentos — em planos geométricos cortados por uma iluminação dramática.
Nas peças do acervo da EBART Gallery, destaca-se a precisão com que Tito orquestrava os tons terrosos, cinzas e azuis profundos. Suas superfícies carregam texturas ricas que remetem à sua vivência com mosaicos, gerando uma solidez visual que ancora o olhar. Suas telas e gravuras raras são ativos culturais seguros, ideais para colecionadores que priorizam a tradição acadêmica aliada à liberdade moderna.