Metamorfoses Surrealistas de Walter Lewy
Ao unir a disciplina técnica europeia à explosão cromática e à exuberância da flora tropical, Walter Lewy construiu uma obra intensamente poética, habitada por cenários oníricos e metamorfoses visuais fascinantes.
Tendo convivido com as vanguardas europeias antes de radicar-se em São Paulo em 1937, Lewy foi uma das poucas vozes a dedicar-se de forma exaustiva e fiel à estética do Surrealismo no Brasil, participando de edições históricas da Bienal de São Paulo e expondo ao lado de grandes nomes do modernismo.
Walter Lewy veio para o Brasil e o encontrou. Esta nossa terra quando quer dar, dá tudo, deu ao tímido Walter o céu, os cactos, as flores, outras coisas mais estranhas, coisas eróticas, exóticas. — Di Cavalcanti.
A técnica de Lewy é marcada por uma precisão quase acadêmica colocada a serviço do absurdo e do sonho. Suas telas retratam paisagens onde árvores criam olhos, rochas flutuam e horizontes fundem-se em metamorfoses orgânicas e botânicas.
Com passagens consagradas por diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo e telas presentes nos maiores museus do país (como o MAM e o MAC-USP), as pinturas de Walter Lewy ganham valor ano a ano pela sua raridade e relevância histórica na introdução do surrealismo no país.
exposições marcantes
Nascido em Bad Lippspringe, na Alemanha, Lewy teve sua formação ligada à Escola de Artes Decorativas de Dortmund. Perseguido pelo regime nazista, imigrou para São Paulo em 1937, trazendo na bagagem o impacto estético das vanguardas expressionistas e surrealistas europeias. Em solo brasileiro, integrou exposições marcantes que fundaram o modernismo tardio na capital paulista e estabeleceu forte amizade com intelectuais, atuando também como um celebrado capista e designer gráfico.
A grande assinatura de Walter Lewy reside na criação de "paisagens metafísicas". Suas telas em óleo sobre tela desafiam a lógica: árvores ganham olhos, raízes flutuam no ar, conchas e pedras gigantes equilibram-se no horizonte e fragmentos de templos clássicos mesclam-se a folhagens tropicais estilizadas. Há um lirismo melancólico e misterioso em suas composições, banhadas por uma luz poente ou lunar que confere um aspecto teatral e hipnótico às cenas.
Exposições Individuais Históricas
Primeira Individual no Brasil (1944): Realizada no prestigiado ateliê do pintor Clóvis Graciano, em São Paulo, logo após consolidar sua produção no país.MAM e MASP (1956 / 1974): Expôs individualmente no Museu de Arte de São Paulo (MASP) em 1956. Em 1974, realizou a célebre mostra "Retrospectiva - 35 Anos de Pintura no Brasil" no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Pintor do Ano pela APCA.Galeria Debret (1976): Importante exposição individual em Paris, França, expandindo o alcance internacional de seu "surrealismo tropical".
Participações em Bienais e Salões
Bienal Internacional de São Paulo: Lewy foi presença constante no evento, participando ativamente de diversas edições fundamentais (1ª, 2ª, 3ª, 6ª e 13ª Bienais).Sala Especial na VIII Bienal (1965): Teve um papel de enorme destaque na icônica "Sala de Surrealismo e Arte Fantástica".Sala Especial na X Bienal (1969): Homenageado com uma sala exclusiva dedicada ao "Surrealismo e Arte Fantástica no Brasil".Salão Paulista de Arte Moderna: Participou de várias edições entre as décadas de 1952 e 1965, conquistando as cobiçadas medalhas de Prata (1952) e Ouro (1954).
Grandes Mostras Coletivas e Homenagens
12 Artistas Surrealistas (1967): Histórica mostra coletiva realizada no Teatro Itália, em São Paulo.
Tradição e Ruptura (1985): Participou da grande síntese de arte e cultura brasileiras promovida em São Paulo.