Aldir Mendes de Souza
Aldir Mendes de Souza (1941–2007) foi um importante pintor, desenhista, escultor e médico cirurgião plástico brasileiro, reconhecido nacional e internacionalmente como um dos grandes mestres coloristas da arte contemporânea brasileira. O artista construiu uma trajetória única ao conciliar, de forma ativa e bem-sucedida, as carreiras da medicina e das artes visuais. Conheça os principais aspectos de sua vida, estilo e produção cultural.
A Dupla Jornada: Arte e Medicina
Formou-se em medicina em 1964 pela Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e obteve o título de doutor pela USP em 1966, especializando-se em cirurgia plástica. Sem formação acadêmica em artes, começou a expor no início da década de 1960. Ele costumava dizer que substituía os bisturis pelos pincéis para expressar a sua sensibilidade geométrica e espacial. Nos anos 1970, uniu os dois mundos de forma experimental. Ele criou obras de vanguarda utilizando chapas radiográficas e termografias, além de dirigir curtas-metragens médicos com forte apelo estético visual, como Com o Coração na Mão e Dança das Artérias.
A pesquisa artística de Aldir Mendes é pautada fundamentalmente na compreensão do espaço e na obsessão pela cor. Seu estilo transita entre o construtivismo geométrico e a pop art, dividindo-se em fases marcantes.
A partir de 1969, o cafeeiro e o cafezal tornaram-se temas centrais em sua obra. Inicialmente figurativos e descritivos, esses cenários rurais começaram a ser progressivamente sintetizados em malhas geométricas.
Seus trabalhos passaram a retratar a relação entre o campo e a cidade (o crescimento urbano avançando sobre as plantações). Ele usava blocos de retângulos em perspectiva e clareza gráfica para criar profundidade espacial.
No fim da década de 1980, o pintor inovou radicalmente ao criar séries com a temática de "paisagem aérea". Para simular a sensação de se observar uma terra cultivada vista de cima, ele propôs que suas telas fossem exibidas na horizontal, dispostas diretamente no chão.
Aldir participou de cinco edições da prestigiada Bienal Internacional de São Paulo (1967, 1969, 1971, 1973 e 1977), além de importantes mostras ibero-americanas no México e em Cuba.
Suas obras figuram em coleções e museus de grande relevância, como o acervo digital e físico do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
Título da Obra
Cidade Metropolitana
TÉCNICA
Óleo S/ Tela
ANO
1991
DIMENSÕES
120 x 150 CM
