Alcindo Moreira Filho
Consagrado desenhista, pintor e artista intermídia, o mestre paulista — cuja trajetória confunde-se com a própria consolidação do ensino acadêmico de artes no país — constrói uma poética visual densa, estruturada sobre colagens, sobreposições cromáticas e texturas híbridas que desafiam a nossa percepção imediata.

O Enigma Intermídia
Se a pintura tradicional opera sob a rigidez dos suportes convencionais, a produção de Alcindo Moreira Filho subverte as fronteiras bidimensionais para inaugurar um território de convergência e experimentação sígnica.
Nascido em Caconde, interior de São Paulo, em 1950, Alcindo Moreira Filho estabeleceu uma carreira marcada pelo rigor intelectual e pela sólida inserção institucional. Graduado em Artes Plásticas e Livre-Docente com Mestrado e Doutorado pela prestigiada ECA-USP, expandiu suas investigações estéticas ao frequentar ateliês históricos na Espanha, Inglaterra e Itália como bolsista do CNPq/Capes. Como professor titular de pintura no Instituto de Artes da UNESP, formou gerações de artistas, consolidando um nome indissociável das vanguardas intelectuais brasileiras.
A grande assinatura de Alcindo Moreira Filho reside na criação de composições em técnica mista que operam como palimpsestos visuais. Em suas pinturas e colagens, formas geométricas abertas dialogam com linhas orgânicas intensas e fragmentos materiais em um equilíbrio dinâmico e enigmático.
Suas telas, como a aclamada série "Dobro do Infinito", desafiam a visualidade passiva: há uma profunda investigação sobre o espaço, onde o pigmento é tensionado ao limite para revelar profundidades ocultas e ressignificar o plano pictórico através de grafismos e manchas de luz.
Premiado sucessivas vezes em salões históricos de grande relevância — como o Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba e o Salão Paranaense —, o trabalho de Alcindo Moreira Filho carrega um histórico de exibições consagrado, que inclui participações na Bienal Nacional de São Paulo e mostras na conceituada Fundação Joan Miró, em Barcelona. Presente em acervos museológicos essenciais (como o MAC-USP), suas produções configuram ativos de altíssima segurança patrimonial devido ao rigor de sua pesquisa e à sua relevância histórica na arte intermídia nacional.