Alice Brill
A alemã naturalizada brasileira, Alice Brill (1920–2013) é uma figura central do Modernismo no Brasil, reconhecida por sua atuação múltipla como fotógrafa, pintora, gravadora e ensaísta. Sua produção pictórica captura a alma e a efervescência urbana de São Paulo. Suas obras equilibram o vigor do expressionismo europeu com as cores e a luminosidade da atmosfera tropical brasileira.
O cotidiano urbano
Convidada por Pietro Maria Bardi (diretor do MASP), Alice Brill realizou nos anos 1950 um denso ensaio cobrindo as ruas e o crescimento metropolitano de São Paulo. Na pintura, sua trajetória seguiu a cronologia clássica dos pintores paulistas de meados do século XX.
No início de sua carreira, frequentou o histórico Grupo Santa Helena (ao lado de Volpi e Pennacchi). Suas telas mostravam paisagens urbanas expressivas e figuras cotidianas com pinceladas livres e simplificação formal moderna.
Após deixar o fotojornalismo comercial, Alice retornou com força aos pincéis e mergulhou no abstracionismo geométrico e no estudo de massas de cores vibrantes, criando telas ritmadas por blocos cromáticos justapostos e tramas geométricas abstratas.
A Evolução de seu Estilo Pictórico
No fim da década de 1930 e início de 1940, ao frequentar o ambiente artístico paulista e o Grupo Santa Helena, ela produzia retratos e paisagens sob forte herança estética do pós-impressionismo, influenciada por Paul Cézanne. Na virada para a década de 1950, influenciada pelas correntes de vanguarda que tomavam conta de São Paulo, experimentou um breve período focado no abstracionismo.
Figurativismo Geométrico
Alice Brill encontrou sua identidade definitiva ao misturar a arquitetura urbana com a pintura. A artista passou a criar estruturas verticais geometrizadas cheias de cores e texturas delicadas, retratando janelas, fachadas de prédios e os telhados sobrepostos das casas que avistava de seu ateliê.